Muito boa a reportagem “O poder da geração digital”, capa da recente edição da revista Exame, que você encontra nas bancas. A pauta aborda o que as empresas estão fazendo para conquistar jovens consumidores que vivem, trabalham, se divertem e se relacionam online.
O texto mostra como essa nova leva de consumidores está prestes a revolucionar o mercado de consumo tal como o conhecemos. Os jovens que agora se lançam ao mercado representam a primeira onda de consumidores nascidos e criados sob o signo da internet. Para essa geração, é imperceptível a separação entre vida virtual e vida real. A conversa começa no colégio e termina em casa, pelo Messenger.
“Os detalhes da ida ao cinema são acertados em troca de mensagens de texto pelo celular”, diz texto da matéria. “As reclamações sobre a prova do dia anterior ficam registradas na comunidade do professor de física que os colegas criaram no Orkut. Para a geração digital, sem celular, comunidades online ou blogs não há vida”.
A revista mostra como é vital para as empresas entender a importância e a profundidade dessa transformação cultural, e o quanto é preciso aprender a lidar com ela. Considera que é uma relação difícil, onde o marketing usado em outras mídias se integrará a essa nova realidade. Cita dois exemplos emblemáticos, o de uma comunidade no Orkut, “eu amo chocolate”, que na última contagem tinha mais de 1,6 milhão de fãs do produto, e a história de uma jovem americana que abriu uma página no MySpace, reuniu mais de 900 mil amigos e passou a ser disputada por empresas de desodorante e de jeans para veiculação de propaganda em sua página.
É um mundo novo. É um mundo fascinante. E é um mundo que desafia não só empresas, mas toda organização interessada na comunicação em massa, oferecendo produtos e serviços. É razoável incluir na lista de interessados nesse admirável mundo novo organizações que cuidam da vida espiritual das pessoas, e chegamos à conclusão que os líderes religiosos precisam entender esse fenômeno cultural, e aprender a lidar com ele o quanto antes, se quiserem comunicar-se bem com essa sociedade do futuro.
Não é um desafio qualquer. Hoje em dia, a percepção é que o uso da tecnologia digital pelas organizações religiosas está em um estágio primitivo, onde, salvo exceções, se produz uma página na web, se usa e-mail, mas a interatividade é a mínima possível, e o estímulo para que ela cresça é quase inexistente. A geração digital em curso está acostumada com a interação, com o imediatismo da comunicação eletrônica. Essa geração “está pronta para falar sobre empresas e produtos – e a ouvir o que se diz deles. Os adolescentes já participam ativamente de um grande bate-papo na internet, sem que o marketing tradicional possa influir sobre o andamento da conversa. A caixa de ressonância não pára de aumentar. Pela última conta, havia 50 milhões de blogs no mundo. A cada dia, 175 mil sites pessoais são criados. São novas vozes, de gente nova entrando na conversa”, diz trecho da reportagem.
É algo aparentemente caótico, mas a gurizada está acostumada a lidar com isso. E quanto às organizações religiosas? Será que elas estão preparadas para atrair a atenção dessas pessoas para as mensagens morais, de relevância espiritual? Estão prontas para formar comunidades interessadas em dar ressonância a essas mensagens?
Conheço casos interessantes, mas isolados do uso de ferramentas digitais. O caso de um pastor, líder de jovens de um Estado do Nordeste, que consegue mobilizar a juventude em todo o Estado via Orkut. Segundo ele, a coisa funciona. Acredito que outros tantos estejam tendo o mesmo sucesso. Só não sei se eles estão doutrinando os colegas para a importância desta ação.
Até mesmo esse convencimento é complicado. Recentemente, tive uma experiência difícil ao mostrar a importância da comunicação eletrônica, do uso de blogs, ipods e newsletters para disseminar a marca de uma escola. Ao apresentar o plano, parecia que falava grego. Mas é natural, uma vez que mesmo as empresas, que têm interesse comercial nessa nova realidade, patinam inseguros quanto ao controle do retorno que a web proporciona.
O fato é que existe uma comunidade de jovens em rede, pronta para ser conquistada por uma mensagem que tenha algo a dizer pra eles. Estamos preparados para usar fotologs, blogs, Youtube, Wikipedia, Orkut e Messenger, ipods e celulares para uma evangelização 24 horas, em escala global?
Ellen White, escritora americana que teve uma percepção esperta do futuro, já preconizava a importância de usar novas ferramentas para a evangelização. O momento, me parece, é de transição entre uma liderança que usa a internet para acessar e-mails, consultar o banco ou fazer compras, e uma que cresceu com a internet, em rede com um universo inimaginável de amigos, e que usam a rede para tudo – lazer, estudos, relacionamentos, trabalhos. Comprender esta nova realidade é algo saudável e que pode suavizar esta transição que se aproxima.
3 respostas Até agora ↓
mhagnah // pmbFri, 12 Sep 2008 22:21:34 +000021Sexta-Feira 19, 2007 às 10:21 pm |
dahora…
Evangelização high tech « Heron Santana // pmbThu, 08 Jan 2009 20:27:53 +000027Quinta-feira 19, 2007 às 8:27 pm |
[...] este post, que fala sobre a evangelização no século [...]
Marco // pmbThu, 23 Apr 2009 13:58:06 +000058Quinta-feira 19, 2007 às 1:58 pm |
Há uns três anos já utilizo o email para o envio de mensagens, meditações matinais, músicas e vídeos como mais uma opção de pregação do evangelho. Devemos lançar mão de tudo aquilo que possa ser útil para a causa de Deus. Devemos ir ao encontro das pessoas, e quanto dos nossos amigos não podem ser alcançados com esta poderosa ferramenta que têm sido a internet?
Que Deus continue a iluminar o nosso caminho a fim de que por meio de nós, Deus ilumine o caminho de outros.
Um abraço!