A revista Caros Amigos, uma das minhas alegrias em tempos universitários, defenestra de vez o direito à liberdade de expressão com uma abordagem cínica e preconceituosa contra o Movimento Cansei, liderado essencialmente por empresários, artistas e outras personalidades.
Assim como o PT, Caros Amigos assume a prerrogativa de bastião da democracia, tão candidamente quanto o senador Almeida Lima afirmando que a absolvição de Renan Calheiros foi “uma vitória do povo”.
O que se vê na matéria, entretanto, é o cerceamento da publicação ao direito de protestar de qualquer cidadão que vá além das três refeições diárias. O “Cansei” é ridicularizado por esses setores ligados ao petismo por ser um movimento liderado pela “elite”.
Fica, então, estabelecido assim: se você não foi de metrô para o trabalho, é melhor você se calar; recebeu a fatura do cartão de crédito? Dançou, você tem apenas o direito de ficar calado. Vai trocar de carro no final do ano, costuma fazer viagens aéreas internacionais, tem planos regulares de investimento? Esqueça. Caros Amigos, o PT e movimentos sociais que transitam ao seu redor assumiram-se como o monopólio da reivindicação.
Hugo Chávez continua impassível em sua saga “quero ser Fidel Castro” e agora ameaça fechar ou expropriar escolas privadas que se negarem a adequar suas grades curriculares “às linhas ideológicas do governo bolivariano”, informa o Diario de Pernambuco (aqui para assinantes).
Isso quer dizer que agora o mandatário venezuelano vai determinar um padrão de ensino focado na salada mista que convencionou chamar de “socialismo do século 21″. A coisa chega a um ponto que o ditador de Caracas decretou que todas as instituições de ensino devem permitir a partir de agora a visita de inspetores para checar se os conteúdos ministrados em sala de aula estão de acordo com o que Chávez quer.
Parajornalismo vê a Venezuela em passos largos rumo a severas restrições de liberdades individuais. Primeiro foi o atentado violento à liberdade de expressão, agora ao direito de uma educação livre e posteriormente, me cobrem depois o direito à liberdade de culto.
Grande problema para a Irla e outras instituições sérias de defesa da liberdade religiosa.
Esse é um filme de terror. Não há outra maneira para descrever “Deliver Us from Evil”, documentário magistral sobre os bastidores da atual crise de pedofilia que destroçou como um câncer a reputação da Igreja Católica.
Como personagem central da história, você vai conhecer o padre Oliver O’Grady. Em 1976, na pequena localidade de Lodi, na Califórnia, ele começava uma sucessão de abusos sexuais contra menores que duraria cerca de duas décadas e levaria a Igreja ao escândalo que hoje o mundo conhece.
Trinta anos mais tarde, Amy Berg dirige este incrível documentário. Com ótimo roteiro, uma fotografia que remonta a uma atmosfera densa, asfixiante até, o filme apresenta o próprio O’Grady e intercala momentos da entrevista com partes do seu depoimento oficial. Ao entrevistar o velho padre, surpreende a imagem doce, calma e por isso mesmo assustadora de O’Grady, falando tranquilamente de seus crimes, em contraponto ao desespero do depoimento de pais das vítimas. Há declarações de teólogos tentando explicar o aparentemente inexplicável.
O resultado, na verdade, não é para estômagos fracos, mas “Deliver Us from Evil (Livrai-nos do Mal), permite uma reflexão preciosa sobre motivações humanas para o mal, sobre poder e sobre o quanto uma religião se torna perigosa quando meramente institucional.
Inesquecível é o mínimo que podemos dizer desse filme incrível, que recomendo com fervor.
É uma seqüência lamentável de declarações: antes, Ideli Salvatti depois de quase implorar pela absolvição do alagoano, sugere ao país reconhecer a “decisão soberana” do Senado, e o Aloizio Mercadante, vejam só, defende-se que absteve de votar (o que representa voto pró-Renan) porque “não tinha elementos para decidir” (pensões pagas por lobistas, notas frias de venda de bois, rádios do senador compradas em nome de laranjas, lobby em favor de uma cervejaria, com ganhos milionários, mas tudo isso não foi suficiente para uma decisão do senador paulista).
São todos petistas, e portanto é razoável supor que se fosse neste momento o Governo FHC, o Mercadante estaria apoplético, Salvatti não caberia em si de tanta indignação, e as centrais sindicais e o MST atenderiam ao apelo do Lula e tomariam o país. Como é o PT no poder, resta a turma do “Cansei” ensaiar algum protesto, enquanto o Brasil gruda na TV e tenta descobrir, afinal, quem matou Taís.