Heron Santana

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A terapia do choque, a doutrina da esperança

ambSun, 04 Jan 2009 09:39:22 +000039Domingo 19, 2007 · Deixe um comentário

O documentário que você vai assistir abaixo foi produzido por Naomi Klein, estrela do movimento antiglobalização desde que escreveu “No Logo”, onde denuncia a cultura do consumismo e as relações de poder entre as grandes corporações e os trabalhadores.

A jornalista canadense está com livro novo, “A Doutrina do Choque”, onde faz considerações sobre o que chama “capitalismo de desastre”. Para Klein, é essa filosofia de força e poder que determina as relações políticas e sociais dos dias de hoje. 

Para defender sua tese, a autora relembra a terapia do choque, usada pela psiquiatria nos anos 40, que permitia, a partir do uso de choques elétricos em pacientes, “limpar” a mente dos doentes, de modo que pudesse ser trabalhada pelos médicos de maneira supostamente saudável.

Nos anos 50, a CIA, agência americana de inteligência, se apropriou do método para interrogatório, levando as pessoas a passarem por situações que causassem choques psicológicos.

Na economia, a doutrina do choque é apresentada como uma filosofia de poder que aponta os períodos subsequentes a grandes tragédias, segundo a escritora, como a oportunidade ideal para impor idéias radicais do livre mercado para sociedades em estado de choque com os desastres. Foi assim com o massacre de Tiananmen. Foi assim com o colapso da União Soviética. O 11 de setembro de 2001. A guerra contra o Iraque, O Tsunami asiático. O furacão Katrina em Nova Orleans.

Naomi Klein é uma voz importante na comunidade internacional, muito embora eu fique um pouco incomodado com sua visão maniqueísta da política contemporânea.  Mas o seu raciocínio no documentário abaixo me fez pensar sobre como a doutrina do choque se aplica com muita freqüência à vida religiosa nos dias de hoje. É algo que me afeta diretamente por um motivo simples: sou cristão, adventista do sétimo dia, e acredito, portanto, na volta de Jesus. Atualmente, os adventistas estão fazendo um grande esforço para associar esse acontecimento a um futuro com esperança. Fico feliz de ver esse posicionamento ocorrendo de modo tão claro e tomando conta da vida das pessoas.

Lamentavelmente, há ainda uma forte visão no Cristianismo moderno que se vale de recursos parecidos com a doutrina do choque denunciada por Naomi Klein. A apresentação da volta de Jesus não está ligada a um recomeço, mas ao fim dos tempos; o Armagedom seduz mais do que o Lar Celestial; o medo prevalece sobre o amor.

A tradição cristã registrada na Bíblia é clara quanto ao poder libertador da devoção cristã. O próprio Jesus sentenciou: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Em outro texto, está escrito que “o amor lança fora o medo”. O esforço dos adventistas é apresentar o Cristianismo como um exercício de libertação para um futuro com esperança. Neste site, essa visão está clara e difundida de forma extraordinária. Seria salutar que entidades cristãs variadas adotassem exemplo semelhante, permitindo que a adoração ao Senhor ocorra pelos motivos corretos, e não pelo medo de arder “para sempre” nas chamas do inferno.

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Tantas palavras…

pmbTue, 12 Feb 2008 19:53:42 +000053Terça-feira 19, 2007 · Deixe um comentário

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Pelos meus cálculos, minha filha Giovanna, de um ano e seis meses, já conhece 88 palavras. Contabilidade nunca foi o meu forte, o que, presume-se, posso estar errado, e ela saiba um tanto mais ou menos. De qualquer forma, considero notável que ela expresse o seu mundo, seus sentimentos e mesmo opiniões com menos de uma centena de palavras.

Com 88 palavras, ela diz que ama o papai. Com 88 palavras, diz que ama a mamãe. Com 88 palavras, repreende o “au au”. Com 88 palavras, manda o papai sentar. Com 88 palavras, manda a mamãe dormir. Com 88 palavras, pede água de coco na barraquinha da praia. Com 88 palavras, bate um papo com Jesus. Com 88 palavras, fala que quer dormir. Com 88 palavras, pede água e comida. E pede também para brincar e passear.

Talvez a corujice seja um tanto irracional. Mas estou mesmo emocionado com a capacidade de expressão de minha princesa. Quem sabe um dia seja uma grande oradora. Quem sabe, um Barack Obama de saias. Ou um padre Vieira de salto. Ou um Rui Barbosa de escova progressiva. Talvez isto aconteça. Por enquanto, ah, que maravilha! Ela mostra uma visão de mundo mais bacana, mais bonita, e até com mais esperança pros pais. E tudo isso com apenas 88 palavrinhas! 

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