Sergio Vieira de Mello é um personagem fascinante, e é uma pena que o Brasil tenha descoberto sobre a vida e a missão desse diplomata brasileiro por ocasião de sua morte tão trágica. Corajoso e carismático, Sérgio parecia fazer da diplomacia um sacerdócio. Talvez porque tenha sofrido tanto com a intolerância. Desde jovem, teve de abandonar o País porque seu pai, também diplomata, era perseguido pela ditadura militar brasileira. Ainda jovem começou a trabalhar na Organização das Nações Unidas. E foi na ONU que ele testemunhou situações da história contemporânea das tragédias humanas, como a de Ruanda, que terminou em uma das mais graves crises humanitárias do século 20, e a do Timor Leste, que culminou em bem-sucedida transição para a independência. Sérgio Vieira de Mello assumiu a difícil posição de chefe da missão da Onu no Iraque após a invasão americana, sem o apoio do governo americano e contando com a antipatia dos representantes dos Estados Unidos no Iraque. Sua vida agora é contada por Samantha Power, uma jovem estrela das relações internacionais, no livro O Homem que Queria Salvar o Mundo, da editora Cia. das Letras.
Ou seja: é leitura obrigatória e vou devorar assim que estiver em minhas mãos!
pmbFri, 08 Feb 2008 16:51:17 +000051Sexta-Feira 19, 2007 · Deixe um comentário
“Embora a ciência esteja conosco de forma razoavelmente bem estabelecida há apenas 200 anos, já fez mais pelo bem-estar da humanidade do que todas as rezas e mandingas de religiosos durante milênios”.
É assim, com argumentos absurdamente indefensáveis, que Hélio Schwartsmanse dedica a defender a ciência como algo em que se pode acreditar, enquanto que posição favorável à religião, subentende-se, é coisa do Capitão Caverna.
Segue, portanto, o CCC – Comando de Caça aos Criacionistas, seres de segunda categoria que precisam ser calados e combatidos.
Para quem não lembra, o CCC era o Comando de Caça aos Comunistas, um comitê de combate à doutrinação comunista de Moscou, Cuba e adjacências, alimentado pela Guerra Fria. O CCC foi uma ação que gente como Schwartsman se posicionaria contra, logicamente.
Hoje, do alto de minha alienação e olhando o passado, só resta lembrar George Orwelll: todas as pessoas são iguais, mas algumas são mais iguais do que as outras.
Quer viver mais? Seja um adventista do sétimo dia, diz o jornal Daily Mail, na edição de 20 de novembro e disponível online aqui.
Em uma dessas matérias leves e agradáveis na editoria de saúde, o jornal norte-americano enumera várias dicas para quem deseja viver mais. Tem sugestões produtivas: comer mais tomates, ir mais à igreja, rir diariamente… e ser adventista do sétimo dia!
Diz o texto: Os adventistas do sétimo dia vivem em média quatro anos a mais que o resto de nós, diz o Dr. Pramil Singh, da Univesidade de Loma Linda, na Califórnia. Analisando dados obtidos das dietas dos adventistas do sétimo dia que são vegetarianos estritos e outros estudos a longo prazo, o Dr. Singh afirma que ‘os que são vegetarianos há um bom tempo têm uma vantagem de 3,6 anos de vida e vivem cerca de 86,5 anos’.”
A revista Caros Amigos, uma das minhas alegrias em tempos universitários, defenestra de vez o direito à liberdade de expressão com uma abordagem cínica e preconceituosa contra o Movimento Cansei, liderado essencialmente por empresários, artistas e outras personalidades.
Assim como o PT, Caros Amigos assume a prerrogativa de bastião da democracia, tão candidamente quanto o senador Almeida Lima afirmando que a absolvição de Renan Calheiros foi “uma vitória do povo”.
O que se vê na matéria, entretanto, é o cerceamento da publicação ao direito de protestar de qualquer cidadão que vá além das três refeições diárias. O “Cansei” é ridicularizado por esses setores ligados ao petismo por ser um movimento liderado pela “elite”.
Fica, então, estabelecido assim: se você não foi de metrô para o trabalho, é melhor você se calar; recebeu a fatura do cartão de crédito? Dançou, você tem apenas o direito de ficar calado. Vai trocar de carro no final do ano, costuma fazer viagens aéreas internacionais, tem planos regulares de investimento? Esqueça. Caros Amigos, o PT e movimentos sociais que transitam ao seu redor assumiram-se como o monopólio da reivindicação.
Esse é um filme de terror. Não há outra maneira para descrever “Deliver Us from Evil”, documentário magistral sobre os bastidores da atual crise de pedofilia que destroçou como um câncer a reputação da Igreja Católica.
Como personagem central da história, você vai conhecer o padre Oliver O’Grady. Em 1976, na pequena localidade de Lodi, na Califórnia, ele começava uma sucessão de abusos sexuais contra menores que duraria cerca de duas décadas e levaria a Igreja ao escândalo que hoje o mundo conhece.
Trinta anos mais tarde, Amy Berg dirige este incrível documentário. Com ótimo roteiro, uma fotografia que remonta a uma atmosfera densa, asfixiante até, o filme apresenta o próprio O’Grady e intercala momentos da entrevista com partes do seu depoimento oficial. Ao entrevistar o velho padre, surpreende a imagem doce, calma e por isso mesmo assustadora de O’Grady, falando tranquilamente de seus crimes, em contraponto ao desespero do depoimento de pais das vítimas. Há declarações de teólogos tentando explicar o aparentemente inexplicável.
O resultado, na verdade, não é para estômagos fracos, mas “Deliver Us from Evil (Livrai-nos do Mal), permite uma reflexão preciosa sobre motivações humanas para o mal, sobre poder e sobre o quanto uma religião se torna perigosa quando meramente institucional.
Inesquecível é o mínimo que podemos dizer desse filme incrível, que recomendo com fervor.
ambFri, 12 Jan 2007 04:24:00 +000024Sexta-Feira 19, 2007 · Deixe um comentário
Livros para ler no escritório, no quarto, na sala, revistas se amontoando, DVDs para assistir, coisas interessantes para ver na TV, CDs aos montes, esse rádio que não pára com interessantes boletins econômicos, e-mails para abrir, youtube à disposição e aquele montão de blogs que estou viciado em acompanhar. E isso tudo antes de as férias terminarem. Como é dura essa tal de sociedade da informação.
ambThu, 11 Jan 2007 04:19:00 +000019Quinta-feira 19, 2007 · Deixe um comentário
Sônia e Estevam Hernandes não ajudaram muito a causa cristã ao serem pegos em Miami com 50 mil dólares e um rastro de processos sobre atividades fraudulentas nos bastidores dos cultos da Igreja Renascer. O casal Garotinho também, depois de uma desastrada temporada à frente do Governo do Rio, quando evocaram a convicção religiosa para habilitar um populismo evangélico. Bush também entra na lista, com decisões atarantadas que provocam o desequilíbrio mundial, sob o argumento de uma guerra do Bem contra o Mal. Mas o fato é que a mídia e pensadores não precisam de muitas diatribes de cristãos professos para se esforçarem na criação de um zeitgeist, um espírito de época onde se define que a causa de todos os males do mundo concentra-se na religião.
Semanas atrás a Época deu uma de suas capas ao assunto, mostrando como cientistas tentam desestimular a religião na sociedade moderna. Agora é a vez da Galileu, que anuncia uma “guerra contra Deus”. Não li e não gostei de nenhuma das duas matérias, com títulos e chamadas que não mostram nenhum esforço em parecerem sensacionalistas. Fui vacinado contra o argumento dos intelectuais anti-religião desde que li “Por que não Sou Cristão”, de Bertrand Russell, um dos pioneiros dos ataques a qualquer espécie de movimento religioso.
Russell, filósofo contemporâneo, ateu declarado e militante contra as religiões, reúne nesta obra algumas palestras e ensaios que apontam sua posição contra a fé, em especial a fé cristã. O intelectual é festejado em círculos evolucionistas e acadêmicos como uma voz dissonante ao que consideram ser uma escalada religiosa definindo os rumos da geopolítica mundial conforme a vemos hoje. Talvez esses intelectuais expliquem porque o Iluminismo fracassou em sua tentativa de matar Deus – sim, esse pensamento não é nada novo.
Não li todo o livro de Russell. Perdi o interesse no momento em que ele, a certa altura de sua obra, afirma que desconsidera Jesus Cristo como o maior dos homens que já viveu na Terra porque Ele acreditava no castigo eterno e usava esse discurso em sua mensagem. Jesus fazendo apologia ao castigo eterno! Santo Deus! Talvez Russell não tenha lido a Bíblia, ou se a leu não prestou muita atenção ao conteúdo profético. Talvez ele tenha lido, mas foi incapaz de interpretá-la, sendo portanto irônico que um intelectual tão gabaritado seja incapaz de interpretar um texto bíblico, quase um analfabeto funcional sobre o assunto. Mas o fato é que quando uma das mentes inspiradoras desse movimento que tenta calar a religião – desconsiderando tudo o que ela foi capaz de produzir em termos de civilização e ignorando o quanto ela vem sendo usada por gananciosos como um escudo para ampliar o poder – mostra uma opinião tão distorcida sobre a mensagem de Jesus de acordo com o que está escrito na Bíblia, seu pensamento passa a ser no mínimo discutível.
ambThu, 11 Jan 2007 04:14:00 +000014Quinta-feira 19, 2007 · Deixe um comentário
Este cidadão me ajudou bastante a matar a fome, especialmente no período que morei sozinho, não sendo portanto o momento gourmet mais interessante de minha vida. Meu nissin preferido era o de legumes, ao qual eu acrescentava um molho de tomate e manjericão, com castanhas de caju, uma delícia.
ambThu, 11 Jan 2007 04:02:00 +000002Quinta-feira 19, 2007 · Deixe um comentário
Eu sei, eu sei, é ridículo passar seis meses para atualizar um blog, mas finalmente saí da hibernação. Meu consolo é que nos últimos três meses viajei bastante, nada muito turístico, bem longe da Disney, da praia ou de qualquer roteiro paradisíaco. Fui ter contato com um Brasil que não cabe em fait-divers da imprensa convencional, um Brasil profundo, onde aprender a ler aos 70 anos é uma aventura emocionante, e onde tudo o que se precisa é de uma orientação para poder plantar e sobreviver em paz.
Essas histórias irão compor um vídeo e uma publicação sobre a ação social adventista no Nordeste. Irão também ocupar este blog, pelo menos os bastidores das histórias, e então vou ter o privilégio de mostrar um pouco deste Brasil tão solidário e humano.
ambThu, 12 Oct 2006 06:51:00 +000051Quinta-feira 19, 2007 · Deixe um comentário
De hoje até domingo estarei no interior da Bahia, acompanhando um belíssimo projeto de inclusão social, o programa de policultura do semi-árido desenvolvido pela ADRA Bahia. Em uma terra onde a seca é inclemente, várias famílias atendidas pelo programa estão tranqüilas, trabalhando e desse modo garantindo o seu sustento.
Em todo o Nordeste, a ação social adventista desenvolve projetos na área de desenvolvimento sustentável, geração de renda, agricultura familiar, educação básica e segurança alimentar.
Todos esses projetos vão fazer parte de um vídeo institucional que terá como objetivo levar autoridades públicas e privadas a conhecerem essas ações de responsabilidade social, abrindo portas para futuras parcerias.
O candidato a presidente e ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, está aparentemente pagando caro por ter sido tão contundente no debate com o presidente Lula, no último domingo, segundo o último resultado de uma pesquisa pelo Datafolha. A diferença do presidente Lula para Alckmin, em intenções de voto, é de 11%.
Para quem chega no Nordeste e pára pra conversar com qualquer pessoa, especialmente nos municípios mais pobres, Lula é venerado de um modo quase messiânico, o que faz com que as denúncias de corrupção passem por ele sem contaminá-lo, perante esta opinião pública.
A razão para tanto é o programa Bolsa-Família, tema de uma interessante série de reportagem publicada esta semana pelo Diario de Pernambuco onde mostra que o programa, na mesma proporção em que injeta recursos em economias de municípios pequenos, que vivem basicamente do comércio varejista, leva famílias pobres a abandonarem a busca por emprego, acomodando milhões de famílias nesta pequena renda e provocando uma terrível dependência.
ambThu, 12 Oct 2006 06:27:00 +000027Quinta-feira 19, 2007 · Deixe um comentário
Creio que, em toda a minha vida, a frase que mais ouvi foi: um hipermercado não se sustenta por muito tempo em uma cidade com 50 mil habitantes.
A declaração acima é de Sam Walton, o criador da Wal-Mart, empresa que no ano passado faturou 292 bilhões de dólares. Ele está velhinho, mas tem muito a ensinar aos jovens de hoje. Entenda a razão a seguir.
A história da Wal-Mart é incomparável. Depois de um começo difícil, Sam Walton conseguiu erguer um empório familiar na cidadezinha de Bentoville, no interior do estado do Arkansas, e 55 anos depois essa pequena empresa se transformou na maior empresa varejista dos Estados Unidos e na maior corporação do mundo.
O conceito de negócio de Sam Walton é simples. Para ele, o consumidor iria a suas lojas se estas conseguissem oferecer, sempre, os melhores preços do mercado. Para isto, os custos tinham de ser os menores. É por esta razão que a cultura corporativa do Wal-Mart é extraordinariamente espartana. Os escritórios não são mais do que cubículos, a decoração chega a ser simplória, os executivos dividem quartos de hotéis com diárias de 50 dólares, e estão proibidos qualquer gasto que se julgue desnecessário.
A história de Sam Walton serve de inspiração para os jovens de hoje. Pode-se até discordar do capitalismo um tanto agressivo adotado pelo empresário americano, mas é preciso reconhecer a obstinação, a persevarança e a vontade incrível de trabalhar e de vencer que demonstrou. O desafio de quem cuida da juventude é despertar neles esses sentimentos, necessários para o exercício do empreendedorismo, de apostar em um sonho e acreditar nele, trabalhar muito por ele. E em um momento em que as autoridades políticas tecem suas ações sob o manto da suspeita, em função dos desmandos éticos e morais que tomaram conta do País, as autoridades religiosas talvez tenham um papel fundamental para esse despertamento dos jovens.
Para quem quiser se inspirar, leia esta reportagem do Fantástico sobre jovens empresários que alcançaram sucesso em seus empreendimentos.
ambThu, 12 Oct 2006 06:11:00 +000011Quinta-feira 19, 2007 · Deixe um comentário
O Diario de Pernambucorepercutiu ontem uma reportagem com o prefeito do Recife, João Paulo, em que ele responde via jornal a uma provocação do candidato a governador derrotado em Pernambuco, ex-ministro Humberto Costa, que deu a entender ser do prefeito parte da culpa por sua derrota em 01 de outubro. Ambos são do PT, o que mostra o processo de autofagia que vive o partido, antes auto-declarado guardião da ética política no Brasil.
O fato expõe algo latente na atual política brasileira, que é a disputa incansável pelo poder. Nessa busca, muitas vezes cegas, os políticos esquecem de estudar o Brasil e apresentar, com base nessa pesquisa, propostas para minimizar os problemas brasileiros e apresentar soluções para mudanças positivas na qualidade de vida do povo.
Talvez fizesse bem a nossos políticos, depois de lamber as feridas da derrota ou comemorar a vitória, refletir um pouco no belíssimo exemplo do ex-candidato a presidente dos Estados Unidos, Al Gore, derrotado pelo atual presidente dos Estados Unidos mesmo tendo mais votos do que este, em uma eleição marcada pelo descrédito.
Gore chegou a ficar desiludido da política, mas deu a volta por cima e passou a estudar os problemas ambientais da política, uma bandeira que vinha levantando desde 1976. De seu trabalho ardoroso, surgiu documentário An Incovenient Truth (Uma Verdade Incoveniente), que vem trazendo uma reflexão pertinente por onde passa. Alçado ao posto de celebridade de Hollywood, Gore usa o cinema como uma plataforma de análise da degradação provocada pelo aquecimento global, o papel do homem neste problema e de que modo pode-se buscar soluções.
Leia mais sobre este filme, e assista ao trailer, clicando aqui.
Ignorância e educação precária têm preço, e no caso do Brasil é a lanterna da corrida global pela prosperidade, mostra a excelente reportagem de capa da recente edição da revista Exame. Na sociedade do conhecimento, a baixa qualidade do ensino brasileiro tornou-se uma ameaça à competitividade das empresas e uma trava ao crescimento do país.
Os números, resultado de um estudo do Banco Mundial, mostram que, em comparação com outros países emergentes, é de dar dó os indicadores do que anda acontecendo, ou deixando de acontecer, nas salas de aula brasileiras.
Só para ilustrar o que acontece no Brasil, seguem números de uma comparação com outro país de potencial emergente de crescimento, a Rússia. A taxa de analfabetismo brasileira é de 15%. Na Rússia, é de 0,5%. A média de escolaridade da população brasileira é de 5 anos. Em média, os russos passam 10 anos estudando. A participação da mão-de-obra especializada, técnicos e profissionais com curso superior, é de 9% no Brasil. Leva outra goleada da Rússia, que tem taxa de 31%. A qualidade do ensino de Ciências e Matemática é de 2,9 pontos no Brasil, em uma escala que vai de 1 a 7 pontos. Na Rússia, o indicador é de 5,1%.
A matéria merece ser lida, e resume bem a preocupação do presidente da Philips, Marcos Magalhães: “Se o Brasil engrenar um novo surto de crescimento, vai parar por falta de gente qualificada para o trabalho”.